Crítica | Thor: Ragnarok

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Seguindo a tradição de “vamos fazer filmes com nomes de grandes arcos das HQs mas utilizar praticamente zero da essência”, a Marvel Studios lança Thor: Ragnarok, que em nada se parece com a história do Walt Simonson. Ou da Jack Kirby. Ou a do Michael Avon Oeming. Não, Thor: Ragnarok… é a resposta para todas as pessoas que falaram “meh, os filmes do Thor são chatos”.

Depois dos eventos de Vingadores: A Era de Ultron, em que Thor (Chris Hemsworth) ficou mais uma vez sem camisa se banhou nas Águas das Visões, o Deus do Trovão tem tido visões do Ragnarok, o fim do mundo na versão Asgardiana. Enquanto ele busca uma forma de evitar… Hela, a Deusa dos Mortos chega e… bom, tudo vai para o saco.

Vou tentar fazer dessa resenha o mais spoiler-free possível…

A principal reclamação das pessoas é que os filmes do Thor eram… chatos. Bom, Ragnarok em nada se parece com Thor (o filme original) ou Mundo Sombrio. Ele tem ação do início ao fim e é recheado de piadas. De fato, posso imaginar que muita gente (principalmente os críticos chatos) dizerem que tem humor demais e que a Marvel está exagerando nesse aspecto. Eu vejo de outra forma. Ao invés de tentar que TODOS seus filmes sejam “épicos”, o objetivo do estúdio é entreter o público. A película, assim como Guardiões da Galáxia 2 ou até mesmo o Homem-Aranha: De Volta ao Lar, não foca em contar uma história gigantesca, e sim, histórias focadas nos personagens. O foco é o herói, não sua jornada. Então, por que não fazê-la divertida? As piadas, porém, são diferentes das dos Guardiões, sendo mais situacionais, quase beirando sitcom.

Como dito acima, o foco do filme são seus personagens, e o cast foi sabiamente restrito aos filhos de Odin. Esse título deveria ser o próximo livro do Neil Gaiman. Além deles, temos Hela (Cate Blanchett, maravilhosa e uma das personagens mais engraçadas), Valquíria (Tessa Thompson… eu gosto da Nathalie Portman, mas eu a trocaria pela Tessa sem pensar duas vezes), Skurge, o Executor (Karl Urban, que sempre atua fantasticamente bem) e o Vingador favorito de todos, Hulk (Mark Ruffalo). Contudo, todos esses personagens, além de outros como o Grão-Mestre (Jeff Goldblum, em um papel que mais parece que ele está sendo só ele mesmo) são meros coadjuvantes, sendo Thor e Loki (Tom Hiddleston) os donos do show.

O mais interessante é que, por mais que você possa não gostar de Thor e Mundo Sombrio, ao vê-los em sequência (assistindo, claro, aos Vingadores, intercalando), é possível ver o crescimento de Odinson, e esse crescimento culmina em Ragnarok. E, claro, Loki também cresce, e é a evolução dos dois, como personagens e como irmãos, que torna Ragnarok um filme muito bom.

Não vou dourar a pílula, porém: se você é um daqueles que criticam todos os filmes da Marvel, não será esse filme que te fará mudar de opinião. Se o “jeito Marvel” de fazer filme te irrita, bom, esse filme não é para você. Os defeitos estão todos lá: Vilão sem muita profundidade (e eles tentaram), muitas piadas, não tem “cara de épico”, muitas mudanças nas origens dos personagens.

Aliás, esse último item é um tópico muito importante. MUITAS coisas são alteradas do Quadrinho. Não dá para abordar sem entrarmos no âmbito do spoiler, mas vamos dizer que, como fã da Marvel, fiquei chocado com a quantidades de “liberdades poéticas” que o filme teve, principalmente porque Christopher Yost e Craig Kyle, dois grandes roteirista de HQ, que conhecem muito da história da Marvel fizeram isso. Porém, como sempre respondo quando me perguntam “você não se irrita que mudaram a origem/poder/cor da cueca do personagem?”, eu respondo “Wolverine não fez parte da primeira formação de X-Men: O Filme. Se eu aceito isso nesse filme, eu aceito em todos”. Quem quer ver Ciclope, Garota Marvel, Homem de Gelo, Anjo e Fera contra o Magneto no Cabo Canaveral? A mesma regra se aplica aqui. Acho que já falei sobre isso antes. Estou ficando velho, não lembro mais.

Outra coisa legal é a estética do filme, que tem uma cara de “sessão da tarde”, com seu visual meio retro. Mais uma coisa digna de menção: Sabe o lendário easter egg do Thor original? Que a Manopla do Infinito está lá? Bom, eles falam disso. Alías, easter eggs e referências (incluindo uma das minhas favoritas), nesse filme, é o que não falta.

Bom, no fim do dia, vale a pena Thor Ragnarok? Se você gosta dos filmes da Marvel, esse não te decepcionará. Se você não gosta, ele não vai te convencer.

Até o lançamento de Thor Ragnarok, quando poderei ver o filme mais uma vez… KEEP ON ROCKIN’ THOR!

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Quem escreveu isso?

, a identidade secreta do Captain Man, é o último sobrevivente de um planeta moribundo. Foi exposto a Raios Cômicos e mordido por uma marmota radioativa. Treinou por anos com os maiores mestres de artes marciais e tem cinco doutorados (mas nunca terminou a faculdade). Agora, dedica sua vida a criticar tudo, como todo velho ranzinza.