Resenha | Universo DC: Renascimento

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As primeiras referências de herói que tive na infância vieram da televisão. Foi graças à animação Superamigos, à série de TV Batman e aos filmes do Superman estrelados por Christopher Reeve que conceitos como bondade, justiça e esperança foram apresentados a mim e contribuíram para a formação do caráter em meus primeiros anos de vida. Em comum, as três narrativas audiovisuais tinham o material de origem – os quadrinhos – e o fato das personagens pertencerem à DC Comics, uma das maiores editoras do segmento do mundo. Logo, associar características tão positivas, quanto às que me foram apresentadas através da telinha, à editora passou a ser algo natural e isso foi concretizado a partir do momento em que busquei as aventuras do Homem de Aço, do Cavaleiro das Trevas e companhia nas HQs, anos depois.

Hoje, passado tanto tempo desde o meu primeiro contato com as Lendas, escrevo sobre Universo DC: Renascimento (DC Universe Rebirth) – iniciativa que, de certa maneira, reinicia a linha narrativa dos títulos da editora nos quadrinhos – com imensa satisfação. Afinal, ao longo dos anos mais recentes, nos quais dediquei mais atenção à nona arte, esta foi a primeira vez que, genuinamente, reencontrei aquela DC Comics que me foi apresentada na infância. E isso é muito significativo.

Capa alternativa da edição especial.

LEGADO E ESPERANÇA

Geoff Johns, chefe criativo da DC Entertainment e um dos idealizadores de Renascimento, afirma em depoimento presente na edição especial da revista que a motivação para o “reinício” veio da sensação de que faltava algo nos últimos quadrinhos da editora. Quem vinha acompanhando os Novos 52, a mais recente iniciativa para atrair novos leitores através de um reboot, entende o que Johns fala e sabe exatamente o que estava faltando: luz. Este elemento pode ser interpretado tanto no que se refere à esperança de um mundo melhor – simbologia intrínseca à figura super-heróica – quanto na questão de criatividade. No primeiro caso, as sombras ditaram o “humor” das páginas das revistas ao logo dos anos, fazendo com que figuras antes iluminadas passassem a ser motivos de temor e contestação. Os heróis não sorriam e o panteão foi tomado por sentimentos mundanos que transformaram os deuses em humanos uniformizados. Esta circunstância leva-nos ao segundo caso: as histórias provenientes dos Novos 52 não agradavam. Muitas até foram bem escritas e o talento dos ilustradores permanecia nas histórias; contudo, o brilho e o encanto passavam longe das tramas o que, de certa maneira, acabou descaracterizando a editora, afetando inclusive o lado comercial, visto as vendas razoáveis dos títulos da DC na primeira metade da década atual.

Pois bem: ao fim da leitura de Universo DC: Renascimento, fica a impressão de que a ideia é trazer a luz de volta ao UDC e, por meio de uma narrativa curta, porém intensa, Johns vende muito bem seu “peixe” e eu endosso que este é o momento perfeito para aqueles que estavam afastados dos quadrinhos ou para os que querem se aventurar pela primeira vez no gênero reservarem parte das economias para as visitas às comic shops. Contudo, fica um aviso: embora muito boa, a narrativa dessa edição especial exige muito de seu leitor, que deverá buscar informações na internet, conversar com amigos mais antenados e até mesmo ler (ou reler) outros títulos, tamanha a informação transmitida ao longo dos quatro capítulos que compõem a trama.

A esperança e o otimismo estão de volta ao UDC!

QUEM VIGIA…?

De maneira resumida, Universo DC: Renascimento acompanha Wally West, o Kid Flash, que andava sumido durante os Novos 52. Aqui, descobrimos que West está preso à força de aceleração e procura fazer o possível para retornar ao nosso plano e contar aos super-heróis o que anda acontecendo com o universo, pois 10 anos foram misteriosamente roubados por algo ou alguém muito poderoso. Neste meio tempo, Wally, ao tentar voltar à Terra, busca desesperadamente ser lembrado por alguém, visto ser esta a única maneira dele sobreviver e não ser consumido pela velocidade.

Ao longo das páginas, somos apresentados a muitas personagens do UDC, o que serve de indício sobre o que acontecerá com elas a partir do retorno de Wally e da sua descoberta, que afetará profundamente a linha temporal dos heróis. A maior consequência é a integração entre o universo regular da DC Comics e o universo de Watchmen. Logo, a leitura da clássica HQ de Alan Moore e Dave Gibbons se torna obrigatória, visto esta ser a maior referência para a nova fase da editora.

O excelente texto de Geoff Johns é ilustrado por quatro dos artistas que, na minha opinião, definiram a cara da DC Comics nos últimos anos: Gary Frank, Ethan Van Sciver, Ivan Reis e Phil Jimenez. Ao reunir esse time em torno de um projeto tão ambicioso, a DC demonstra grande carinho e respeito por suas personagens e pelo público, este que vem respondendo positivamente ao projeto, tendo levado a editora novamente ao topo da lista dos mais vendidos.

Kid Flash: para sobreviver, Wally não pode ser esquecido.

Mesmo para quem embarcar agora, vale a pena investir em Universo DC: Renascimento, pois, além das belíssimas páginas, a curiosidade para entender as inúmeras referências será um combustível muito agradável para buscar informações em sites e em títulos previamente publicados, o que enriquecerá ainda mais a edição especial aqui resenhada numa segunda ou terceira leitura. Esta é a prova de que o investimento vale a pena: Renascimento não é uma leitura efêmera e descartável e sim um título que, a cada leitura, renova-se, fazendo jus ao nome da proposta conduzida pelo chefe criativo (e fã número 1) da DC Comics.

Ficha Técnica

Título: Universo DC: Renascimento
Título original: DC Universe Rebirth
Autores: Geoff Johns (roteiro), Gary Frank, Ethan Van Sciver, Ivan Reis e Phil Jimenez (arte)
Editora: Panini Comics
Ano: 2017
Idioma: Português
Páginas: 116
Acabamento: Formato americano, capa cartão

Para adquirir esta e outras edições, basta clicar no logo da Panini Comics abaixo.

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Quem escreveu isso?

Formado em Letras, com especialização em Linguagem e sentido: gêneros discursivos, alterna o tempo entre dar aulas e cuidar dos textos do Mundo Blá. Possui plena consciência de que enlouquecerá um dia, mas não tem jeito: simplesmente ama muito tudo isso!