Resenha | Superman – Qual é o Preço do Amanhã?

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Superman - Qual o preço do amanhã - capa dura

Capa do encadernado publicado pela Panini.

Iniciada em 2011, os Novos 52, iniciativa da DC Comics que reformulou todos os seus títulos, chegou ao fim. Com altos e baixos, o conjunto da obra foi recebido com um certo entusiasmo no início, porém, pouco tempo depois, a estratégia teve que ser repensada, o que resultou em Renascimento, nova reformulação que promete uma espécie de “volta às raízes” para as publicações da editora.

Certamente, ao longo deste período, muita coisa bacana foi publicada (alguns títulos foram resenhados aqui, no Mundo Blá, e outros ainda serão comentados). Porém, outros trabalhos não tiveram a mesma qualidade e foram, de certa forma, responsáveis por gerar uma má impressão sobre o que viriam a ser os Novos 52. Superman – Qual é o Preço do Amanhã? (What Price Tomorrow?), compilação dos seis primeiros números que reinauguraram um dos títulos do Homem de Aço, foi um deles.

Roteirizada por George Pérez, comumente reconhecido pelo seu trabalho como artista (é dele o revolucionário traço presente em Crise Nas Infinitas Terras e em demais projetos realizados em parceria com Marv Wolfman), Qual é o Preço do Amanhã? traz o Planeta Diário para o século XXI (finalmente!). Tendo sido incorporado por um poderoso conglomerado da mídia, a Rede Global Planeta, o jornal passa a ser uma das divisões da empresa, que conta com televisão e website entre os seus veículos.

Todos parecem satisfeitos, menos Clark Kent, que não comparece à festa que marca a apresentação do novo prédio do jornal mais famoso de Metrópolis. Paralelo à insatisfação de Clark, está o incômodo que Superman sente sob o peso da responsabilidade de ser o símbolo da esperança. Afastado da Cidade do Amanhã há um tempo, o herói é trazido de volta à ativa quando três diferentes ameaças supostamente alienígenas atacam Metrópolis. Em comum, as três criaturas citam Krypton, planeta-natal de Kal-El, antes de desapareceram ao fim da batalha, gerando em Superman uma obsessiva preocupação em descobrir o que há por trás desses ataques.

Superman - Drama Queen

“Drama Queen”: Clark recusa-se a aceitar o futuro do Planeta Diário.

UM MAU (RE)COMEÇO PARA O SUPERMAN

Levando em consideração este ter sido o arco inaugural de um projeto ousado e sem precedentes na história dos quadrinhos (todas as edições foram zeradas, incluindo as pioneiras Action Comics e Detective Comics, próximas a atingirem 1000 edições), Superman – Qual é o Preço do Amanhã? é decepcionante. O ritmo da narrativa é truncado, muito pela opção de Pérez quer explicar aquilo que não precisa ser explicado. Ao preencher os quadros com muitos textos, o autor tira do leitor a oportunidade de, por si, a partir da observação da arte, tirar suas conclusões sobre o que ocorre na trama. Isto é, a narrativa visual é comprometida em detrimento da verborragia, o que deixa a leitura cansativa.

Superman_Prime_Earth

#SuperChateado! A versão “mimimi” do Homem de Aço definitivamente não agradou.

Além disso, as três primeiras edições (metade do arco) são muito parecidas em sua estrutura narrativa. É, basicamente, Clark Kent/Superman reclamando de alguma coisa, a ameaça surgindo, a pancadaria rolando solta e a tal menção à Krypton que deixa o herói com a pulga atrás da orelha. Essa repetição cansa e, chegando ao fim da terceira edição, a vontade de desistir é tentadora.

Da metade em diante, a coisa não melhora muito. A ligação das ameaças com Krypton não ficam muito evidentes (aqui, a leitura em paralelo com Action Comics, o outro título do Homem de Aço, viria a calhar) e os desdobramentos do que se passa com Clark geram, por um lado, boas sequências de ação que, infelizmente, pouco contribuem para elevar a qualidade da história. No fim, Qual é o Preço do Amanhã? termina por ser uma aventura regular do Superman, totalmente esquecível e que, ao ser lida no início dos Novos 52 – iniciativa que tinha como uma das principais motivações despertar o interesse de novos leitores –, deve ter comprometido seriamente a boa vontade de quem buscava no título encorajamento para se iniciar nas HQs.

Mas nem tudo está perdido: se, no roteiro, o encadernado patina feio, as artes de Jesús Merino (Sociedade da Justiça da América) e Nicola Scott (Terra 2) agradam bastante. Os traços dos artistas (muitos semelhantes, por sinal) possuem a combinação perfeita entre leveza e força que se alternam entre a beleza futurística de Metrópolis e o poder do Superman. Isso favorece, principalmente, as cenas de ação, dinâmicas e belamente ilustras, que realmente empolgam e salvam, mesmo que muito brevemente, a leitura do marasmo.

Triste constatar que uma trama tão fraca tenha sido o ponto de partida para o recomeço das histórias de uma personagem tão icônica como o Superman. Contudo, é um alívio saber que, com a saída de George Pérez da cadeira de roteirista, a coisa melhora. Que venham os próximos encadernados.

Ficha Técnica

Título: Superman – Qual é o Preço do Amanhã?
Título original: Superman – What Price Tomorrow?
Autores: George Pérez (roteiro), Jesús Merino e Nicola Scott (artes)
Gênero: Ação
Editora: Panini Comics
Ano: 2016
Páginas: 148
Acabamento: Capa dura, formato americano

Para adquirir esta e outras edições, basta clicar no logo da Panini Comics abaixo.

Superman - Selo Panini Comics

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Quem escreveu isso?

Formado em Letras, com especialização em Linguagem e sentido: gêneros discursivos, alterna o tempo entre dar aulas e cuidar dos textos do Mundo Blá. Possui plena consciência de que enlouquecerá um dia, mas não tem jeito: simplesmente ama muito tudo isso!

  • Toni Santos

    Concordo, esse gibi é horrível haha
    Pra aumentar a confusão, o encadernado recente que mostra a morte desse Superman – e que é a´te bacana – tem uma capa quase idêntica a essa!

    O encadernadão com as histórias do Morrison, que saiam na mesma época, é bem superior.

    • Vanderson Santos

      Valeu, Toni!! Que leitura decepcionante, meu amigo!! Já vi que Superman é um dos títulos dos Novos 52 que não valem o investimento. Fiquei curioso para ler o trabalho do Morrison. O problema é o valor daquele calhamaço! Misericórdia!(rs) Abraços e muito obrigado pela visita!!