Resenha | O Imortal Punho de Ferro – As Sete Cidades Celestiais

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Encadernado que compila as edições de 8 a 14, além do primeiro número da anual do título The Immortal Iron Fist, este Punho de Ferro – As Sete Cidades Celestiais (Panini, 2016, 220 p.) segue apresentando a fase que contou com os roteiristas Matt Fraction (Gavião Arqueiro) e Ed Brubaker (Capitão América) e o artista David Aja (Demolidor) à frente das aventuras do herói. Mesmo não sendo uma continuação direta dos eventos apresentados no caderno anterior, A Última História do Punho de Ferro (resenha aqui), As Sete Cidades Celestiais segue com a proposta dos roteiristas em apresentar ao leitor um pouco mais sobre o passado de Daniel Rand e, principalmente, sobre os predecessores do atual dono do manto.

PERIGO POR TODOS OS LADOS

Aqui, um torneio realizado a cada 88 anos reúne as Armas Imortais das Sete Cidades Celestiais, no plano místico chamado Coração do Paraíso, resultado da junção das cidades representadas por seus campeões. Defendendo Kun Lun, o Punho de Ferro luta para honrar a sua cidade, mas como se já não fosse o bastante ter o destino de todo o lugar em suas mãos, Daniel Rand deve impedir um plano maligno da Hydra que pretende invadir e acabar com Kun Lun, além de libertar do cárcere seu sócio e amigo Jeryn Hogarth, este forçado a colaborar com os planos da vil organização.

As Armas Imortais se apresentam.

O que agrada bastante nas histórias do Punho de Ferro nesta fase é a diversão despretensiosa que as narrativas boladas por Fraction e Brubaker proporcionam, mas sem que para isso seja entregue uma história mal contada. Em As Sete Cidades Celestiais, temos de maneira bem orgânica as razões por trás do torneio e a motivação que leva aos flashbacks que trazem mais sobre a herança do Punho, focando especialmente em Wendell Rand, pai de Daniel, e em sua conturbada relação com seu mestre, Orson Randall. As idas e vindas no tempo e os deslocamentos espaciais, que levam a história do Coração do Paraíso ao Tibete e vice-versa, não atrapalham a fluência da leitura, que resulta num bom passatempo ao longo das 220 páginas do encadernado.

As únicas ressalvas que faço à história recaem, primeiramente, sobre o plano da Hydra, sob o comando do Sr. Xao. Visando chegar à cidade mística de Kun Lun, Xao sequestra Jeryn Hogarth para que este supervisione a constrição de um trem capaz de romper a barreira do espaço-tempo. Mirabolante e pretencioso demais, o plano, em nenhum momento, apresenta fundamento ou uma razão crível para a sua existência. Desta forma, a ameaça oriunda do lado da Hydra surge apenas para desviar a atenção de Daniel Rand do torneio e não se vende ao leitor como um grande perigo a sobrecarregar o protagonista, dividido entre salvar Kun Lun tanto por meio do torneio quanto defendendo o local da ameaça terrorista vinda da Hydra. A segunda ressalva é às constantes mudanças na arte ao longo da história. Desta vez, Aja parece ter dividido ainda mais a responsabilidade pelo lápis da narrativa e mais seis artistas ilustram a HQ, entre eles Scott Koblish (Deadpool) e Javier Pulido (Alvo Humano). Particularmente, não gosto quando isso ocorre. Boa ou ruim, prefiro desfrutar de um mesmo traço da primeira à última página, a não ser que haja uma razão ligada à narratividade para as mudanças. Mas nada disso chega a comprometer a diversão de As Sete Cidades Celestiais, resultado da boa fase atribuída a um herói ainda pouco conhecido do grande público.

A luta pela honra das Sete Cidades Celestiais está além da arena.

Levando-se em conta a morna recepção à versão carne-e-osso produzida pela Netflix, sugiro o investimento em tanto em As Sete Cidades Celestiais quanto em A Última História do Punho de Ferro a quem busca conhecer o herói e ampliar o leque de leitura, visto aumento do interesse pelas histórias em quadrinhos, graças ao sucesso das personagens na TV e no cinema.

Ficha Técnica

Título: O Imortal Punho de Ferro – As Sete Cidades Celestiais
Título original: The Immortal Iron Fist – Volume 2: The Seven Capital Cities of Heaven
Autores: Matt Fraction e Ed Brubaker (roteiro), David Aja e demais ilustradores (arte)
Gênero: Ação
Editora: Panini
Ano: 2016
Páginas: 220
Acabamento: Formato americano, capa cartão

Para adquirir esta e outras edições, basta clicar no logo da Panini Comics abaixo.

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Quem escreveu isso?

Formado em Letras, com especialização em Linguagem e sentido: gêneros discursivos, alterna o tempo entre dar aulas e cuidar dos textos do Mundo Blá. Possui plena consciência de que enlouquecerá um dia, mas não tem jeito: simplesmente ama muito tudo isso!