Resenha | Depois a Louca Sou Eu: porque falar de crise é bem acolhedor

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Não vou conseguir falar de Depois a Louca Sou Eu (Companhia das Letras, 2016, 144p.) sem comparar com o livro da Jout Jout (leia a resenha aqui). Até porque os dois têm a mesma premissa: contar não os momentos de glória e glamour, mas as crises nossas (da Tati, no caso de Depois…) de cada dia. No geral, considerando o canal da Jout Jout e as crônicas da Tati Bernardi, me identifico muito mais com a Jout Jout, concordo muito mais com a Jout Jout e me vejo muito mais em algumas das crises da Jout Jout.

Capa do livro publicado pela Companhia das Letras.

Mas, eis a crise: gostei muito mais do livro da Tati!

Me vi beeem menos no que me vi em algumas das crises de Jout Jout, mas achei o texto da Tati mais envolvente e com mais desenvoltura. Tati é dessas colunistas com as quais não concordo tanto, mas não consigo largar. Não me identifico em quase nada, mas simpatizo, sei lá por que, com suas crises, neuras e implicâncias. Gosto dessa escrita direta, sem filtros, sem doçuras e recheada de associações malucas (e ótimas).

Tem que ter muita coragem para se expor do jeito que Tati se expõe. E o mais legal é que ela se expõe mesmo, sem nenhuma afetação. Fala de tarjas pretas como se estivesse falando de ex-namorados para as amigas. Aliás, em uma entrevista no Jô Soares, Tati disse que o nome do livro era para ter sido “Quem ri por último, Rivotril”. Achei sensacional. É isso que prende no seu texto: Tati é ela mesma em todas as crônicas, com alguns litros de exagero licença literária, mas tenho certeza que, realmente, é ela mesma em cada um dos perrengues das crônicas.

Além da inveja de saber que ela foi convidada para colaborar em uma novela de Lícia Manzo (minha autora de novela preferida), me espantei e também me diverti com os seus perrengues. “Você não está sozinho” é o título mais autoajuda e, infelizmente, é o meu texto preferido. O único em que consegui me ver. Já fui muito uma pessoa ensaiada (dessas que planejam e se preparam demais para situações que deveriam ser espontâneas, sabe?), tenho minhas recaídas e aquele texto me fez lembrar o quanto os melhores momentos da minha vida aconteceram de repente, sem ensaiar várias vezes, sem preparar o palco e sem falas decoradinhas.

A autora Tati Bernardi (Foto: Divulgação).

Fora esse, além da simpatia por higienização e de Tati me acalmar e me fazer ver que minha ansiedade é fichinha perto daquela que ela tem que passar, não me enxerguei tanto assim nas situações e nos textos. Mas tenho certeza que muita gente se viu e se sentiu abraçada e teve aquela sensação maravilhosa de “não estou sozinha no mundo” depois de ler.

Sei lá por qual razão, terminei o livro com a maior vontade de virar amiga dela. Aliás, sei bem o motivo: como ela mesmo disse, as pessoas “play feliz” são sem-sal; os doidos é que são as pessoas interessantes. Bom, moramos no mesmo bairro, quem sabe um dia a gente se esbarra e ela me acha doida o suficiente para valer a pena puxar papo na fila do supermercado.

Ficha Técnica

Livro: Depois a Louca Sou Eu
Autora: Tati Bernardi
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 144
ISBN: 9788535926576
(Imagem de Capa: Site Literar)
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Quem escreveu isso?

Tarsila Zamami sempre quis ser profiler. Enquanto não é recrutada para trabalhar na BAU, dedica-se à sua outra paixão: entretenimento. Formada em jornalismo pela PUC-SP, acredita que é no cotidiano que estão os melhores enredos. Ama histórias. Das pessoas e das telonas. Perfeccionista, viciada em listas, maníaca por séries e apaixonada por Moleskines. Sempre quis jogar Jumanji. Para saber (quase) tudo acesse seu blog: confissoesesincericidios.com