Crítica | O Dia do Atentado

416 0

Ao longo da história do cinema, diversos casos de atentados terroristas foram adaptados, como o atentado à delegação israelense nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, retratado no filme Munique, de Steven Spielberg, o drama dos passageiros a bordo de um avião que foi tomado por terroristas em Voo United 93, de Paul Greengrass, entre outros. Obviamente, a indústria cinematográfica não iria deixar passar batido o atentado na Maratona de Boston, em 2013, tido como o maior ataque em solo americano após o fatídico 11 de setembro de 2001, quando aviões foram sequestrados e lançados contra as torres do World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, cuja sede fica próxima à capital dos Estados Unidos, em Washington D.C.

O roteiro de O Dia do Atentado (Patriots Day, EUA/Hong Kong, 2016) foi escrito a seis mãos (Peter Berg, Matt Cook e Joshua Zetumer) e, apesar de ser baseado em fatos reais, parte de sua história é ficcional, incluindo o próprio personagem Tommy Saunders (Mark Wahlberg, de O Vencedor). Apesar da história em si já carregar um peso dramático muito grande, os roteiristas aparentemente consideraram necessário sobrecarregá-la ainda mais, criando personagens e situações que não existiram na vida real. Um exemplo disso, além do próprio Saunders, é o flerte entre o policial Sean Collier (Jake Picking, de Goat) e a estudante Li (Lana Condor, de X-Men: Apocalipse). Ainda assim, ao sermos apresentados à intimidade dos personagens que, posteriormente, terão suas vidas afetadas de alguma maneira pelo atentado, criamos empatia por eles, o que amplifica a dor e a revolta por um crime tão hediondo e nos coloca de um único lado: o dos norte-americanos.

O Dia do Atentado

O diretor Peter Berg (O Reino) optou por uma narrativa semidocumental, fazendo uso tanto de imagens quanto de depoimentos de pessoas que estavam no dia do atentado. Com o objetivo de desestabilizar o espectador, Berg não poupou nas cenas gore após a explosão das duas bombas, com foco em membros mutilados e nas expressões de dor e sofrimento das vítimas. O filme, invariavelmente, foi concebido para insuflar os preceitos e valores norte-americanos. Logo após o atentado, cria-se um sentido de unidade, onde os órgãos de segurança unem forças com a sociedade civil na busca pela captura dos terroristas – ainda que a contragosto por parte do agente FBI, Richard DesLauriers (Kevin Bacon, de Sobre Meninos e Lobos). Um ponto positivo do roteiro foi que houve um cuidado de não criminalizar a comunidade muçulmana, deixando claro que o atentado foi provocado por uma minoria extremista, que não representa os ideais da religião.

Na caçada aos irmãos Dzhokhar (Alex Wolff, de Casamento Grego 2) e Tamerlan Tsarnaev (Themo Melikidze, da série 24 Horas: O Legado), temos cenas de ação muito boas, com destaque para o excelente trabalho de mixagem de som, sob responsabilidade de Dror Mohar e Piero Mura, criando a sensação de estarmos literalmente em meio ao fogo cruzado.

O Dia do Atentado

O Dia do Atentado representa mais uma parceria de sucesso entre o diretor Peter Berg e o ator Mark Wahlberg, que já haviam trabalhado juntos em Horizonte Profundo: Desastre no Golfo e O Grande Herói. O equilíbrio entre o drama e a ação é a principal tônica do filme, o que faz com que ele aumente gradativamente o nível de tensão na medida em que a caça aos irmãos Tsarnaev se intensifica.

O Dia do Atentado estreia nos cinemas amanhã, quinta-feira, dia 11 de maio.

Total 1 Votes
0

Tell us how can we improve this post?

+ = Verify Human or Spambot ?

Quem escreveu isso?

Jornalista de ofício, enxerga o cinema como fonte de inspiração, de libertação e, sobretudo, de reflexão. O cinema muitas vezes nos provoca, permite com que a gente saia do cômodo lugar de um senso comum para avaliarmos o mesmo assunto sob perspectivas diferentes, fazendo com que adotemos novas maneiras de se pensar. Espero, neste espaço, poder oferecer a vocês, leitores, informações e análises críticas sobre o fantástico mundo da sétima arte.