CRÍTICA | LIGA DA JUSTIÇA

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Nos três primeiros episódios da série animada de Liga da Justiça Sem Limites (Justice League Unlimited, 2004), os heróis da DC Comics tinham que deixar as diferenças de lado e se unir em prol de um objetivo comum: proteger a Terra de uma ameaça que um herói não conseguiria derrotar sozinho.

Naqueles episódios, somos apresentados rapidamente ao Batman e Superman (que já vinham de suas bem sucedidas séries) e aos iniciantes: Flash, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Caçador de Marte e Mulher-Gavião. A série foi um sucesso e alegrou em muito os fãs da Editora das Lendas.

Agora, chegamos em 2017 e a mesma Liga da Justiça (Justice League, EUA, 2017) faz sua estréia na tela grande contando com os mesmos personagens (ou quase todos) e traz exatamente o mesmo plot dos episódios de estreia da série mencionada acima. A pergunta aqui é: isso é ruim? Ao meu ver… não.

A sinopse é a seguinte: inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill, de O Agente da U.N.C.L.E),  Batman (Ben Affleck, de Garota Exemplar) se junta à sua nova aliada, Mulher-Maravilha (Gal Gadot, de Mente Criminosa), para recrutar seres com habilidades especiais para combater um inimigo recém desperto e que busca a destruição do planeta. Porém, mesmo a união destes poderosos indivíduos pode não ser suficiente para deter a ameaça que está por vir.

O filme não perde tempo e todos os personagens são rapidamente apresentados junto com o vilão, da mesma forma que peças são colocadas em um tabuleiro. Batman tenta recrutar Aquaman (Jason Momoa, de Game of Thrones) e  Flash (Ezra Miller, de Animais Fantásticos e Onde Habitam), e a Mulher-Maravilha tenta convencer Ciborgue (Ray Fisher) a usar seus “dons” pelo bem da humanidade. Enquanto isso, o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds, também de Game of Thrones) invade Themyscira em busca da primeira Caixa Materna (são 3 no total).

A aposta da Warner/DC aqui é acreditar na memória coletiva de suas propriedades intelectuais para com o público. Diferente da Disney/Marvel que produziu um filme solo de seus principais personagens antes de chegar no filme dos Vingadores, a WB/DC produziu apenas um filme do Superman (O Homem de Aço), um filme para reapresentar o Batman (Batman Vs Superman) e o filme solo da Mulher-Maravilha que estreou em junho deste ano.

Além disso, seus personagens sempre tiveram maior exposição em outras mídias do que a Casa das Ideias (vide as séries de sucesso da CW – The Flash que é um dos carros chefes do canal). Os únicos que teriam que ser mais trabalhados no filme seriam Aquaman e Ciborgue (o primeiro que tem um conceito cômico – graças às piadas do canal do Cartoon Network, e outro que precisa de uma abordagem mais adulta – devido à série animada dos Jovens Titãs, que é transmitida pelo mesmo canal). Mas no geral, e diferente da concorrente, todo mundo sabe quem são os heróis da editora.

A equipe funciona muito bem na tela (assim como funciona na série animada e na sua mídia de origem, os quadrinhos). Os atores estão confortáveis em seus papéis e, com exceção do Flash (e talvez um pouco do Aquaman) não senti que eles estão descaracterizados. O Superman, como deve ser, é apresentado como maior herói de todos e, mesmo quando não está presente fisicamente, sua essência é o fator que move os demais a arriscarem suas vidas.

Porém, o filme está longe de ser perfeito e existem várias falhas que saltam aos olhos do espectador. A grande culpa disso, na verdade, está nos inúmeros problemas que a produção passou nos bastidores: desde a saída da direção de Zack Snyder devido à uma tragédia pessoal e a chegada de Joss Whedon para finalizar o longa até a pressão do estúdio para impor o tempo de projeção de 02h e 01 min (para garantir mais sessões nos cinemas). Por causa disso o filme apresenta uma edição falha e várias cenas que aparecem nos trailers foram cortadas (e talvez poderão ser utilizadas em uma edição definitiva no lançamento do Blu-ray do filme). Aquaman e Flash são os pontos fracos para mim, mas ainda são personagens interessantes e tem grande potencial.

Quanto ao vilão, não me senti tão incomodado por ser um personagem mal desenvolvido (afinal, já temos isso em todos os outros filmes de super-heróis). Achei que ele foi trabalhado de forma simples e objetiva e, além disso, não creio que o Lobo da Estepe precise de um passado ou carga dramática, seu objetivo é apenas conquistar.

O filme encerra de forma bastante positiva com um monólogo de Lois Lane (enquanto digita uma matéria para o Planeta Diário) dizendo que o futuro será mais brilhante (em uma clara referência as críticas recebidas em Batman Vs Superman) e com a recolocação dos personagens dentro deste universo para que possam ser trabalhados em futuras produções.

Assim como já tinha comentado em um texto especial sobre o universo DC nos cinemas (leia clicando aqui), a WB/DC está tentando arrumar a casa, e pelo que vimos neste filme e, principalmente nas cenas extras (sim, fique até o fim da projeção), estamos caminhando gradativamente para isso.

Liga da Justiça já está em exibição nos cinemas.

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Quem escreveu isso?

Formado em Publicidade e Propaganda (mas sempre trabalhou no turismo) considera-se membro de uma espécie em extinção no planeta: os DCnautas. Sempre manteve boa parte dos recursos financeiros voltados para à leitura e ao cinema (e agora, casado, ao sustento da casa). Cinema, séries, quadrinhos, livros, action figures e música são considerados partes importantes no dia a dia.