Crítica | Annabelle 2: A Criação do Mal

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Apesar de não morrer de amores pelo hit de horror lançado em 2013, Invocação do Mal (The Conjuring), minhas expectativas estavam altas para a sequência lançada no ano passado. De fato, Invocação do Mal 2 provou ser uma produção sofisticada dentro do gênero, além de completamente crível. Neste instante, pego-me pensando da mesma maneira com relação à esta sequência do filme de 2014, Annabelle, batizado de Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation, EUA, 2017).

A história de origem da boneca encapetada, que foi apresentada ao público de maneira coadjuvante no citado Invocação do Mal, e que depois ganhou seu referido filme solo no ano seguinte, foi parar nas boas mãos do inventivo diretor David F. Sandberg (do fraco porém criativo Quando as Luzes se Apagam). Sandberg deixa a narrativa respirar e dá à ela credibilidade, se é que isso é possível em uma trama sobre bonecas possuídas pelo tinhoso.

Mesmo reconhecendo que o primeiro Annabelle não é nenhuma maravilha da sétima arte, não entendi as massivas críticas ao filme, que a meu ver, funciona bem como um eficiente exemplar do gênero horror. Sandberg procurou se afastar bastante do primeiro filme, o que se mostrou uma decisão acertada, já que Annabelle 2 caminha por suas próprias pernas e definitivamente agrada em cheio aos fãs do gênero.

A trama do filme centra sua narrativa muitos anos depois de sua sequência de abertura, onde a pequena Annabelle, a amada filhinha de sete anos do casal Sam (Anthony La Paglia, da série Without a Trace) e Esther Mullins (Miranda Otto, de Frankenstein: Entre Anjos e Demônios), é morta em um acidente de carro. Ainda muito abalados pelo luto, mesmo após vários anos, o casal decide receber e abrigar um grupo de garotas órfãs de uma escola católica, e também a freira responsável pelas meninas, depois que o grupo perde o lar onde moravam.

A abatida Esther não é lá de muita ajuda, já que ela nunca realmente superou a morte da filha, e passa boa parte do tempo confinada em um dos quartos da casa. O afável Sam – um ex-fabricante de brinquedos – tenta ao máximo ajudar no acolhimento das garotas, porém não sem antes alertá-las a não tentar entrar em nenhum aposento que esteja trancado, ou mesmo explorar outras áreas da casa.

Como estamos falando de um filme de terror, é óbvio que as meninas decidem fazer exatamente o contrário do que Sam falou, especialmente a pequena Janice (Talitha Bateman, de A Quinta Onda), uma garotinha afetada pela pólio, e sua BFF Linda (Lulu Wilson, da série Os Millers),  ambas corriqueiramente discriminadas pelas garotas maiores. Não demora muito para elas descobrirem o quarto da filha morta do casal, bem como um outro aposento usado para desenhar roupas de boneca. Logo, parece normal que uma demoníaca boneca de madeira ganhe vida e comece a assombrar os habitantes da casa.

À partir deste ponto, Annabelle 2 transcorre sem nenhuma novidade dentro do gênero, e mesmo trombando em clichês e armadilhas do horror, o filme, contrariando todas as possibilidades, de alguma maneira funciona, especialmente pelo fato da narrativa abordar a boneca de maneira diferente do primeiro filme, onde ela na realidade apenas ficava sentada quietinha em seu lugar.

Sandberg encontra criativas maneiras de posicionar a boneca pela casa sem perder o conceito de que ela é apenas uma boneca, e não um organismo vivo que pode se mover livremente ao estilo Chucky da franquia Brinquedo Assassino, por exemplo. E o filme acaba por ser uma bem-vinda adição ao universo de horror começado com Invocação do Mal pelo diretor James Wan. (melhor nome do horror na atualidade). Invocação do Mal 2 alçou o patamar deste universo à um novo nível, e pelo resultado assustadoramente efetivo deste Annabelle 2: A Criação do Mal, o público já pode se preparar para novas empreitadas assombradas chegando por aí.

Annabelle 2: A Criação do Mal estreou nos cinemas brasileiros dia 17 de Agosto.

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Quem escreveu isso?

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colaborador do Humanoides, e agora veste a camisa do Mundo Blá! com muito orgulho. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao goleiro.