Crítica | Alien: Covenant

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A sequência de Prometheus, Alien: Covenant (EUA/Austrália/Nova Zelândia/ Reino Unido, 2017), apesar de ter “Alien” no nome, tem o monstro como elemento secundário diante da trama humana. Não que ele não apareça em diversas cenas; aliás, a criatura aparece muito mais do que no longa anterior, também dirigido por Ridley Scott, onde aparece apenas no final.

Quem gostou de Prometheus e de todas as questões filosóficas abordadas no enredo da obra deve gostar do filme novo, apesar das tentativas de reviravoltas serem bastante óbvias. O plot twist que surpreende os fãs não foi alcançado. Outra irritação diz respeito àquela sensação muito comum em filmes de suspense e terror, que nos leva aos seguintes pensamentos: “Você vai mesmo fazer isso?”, “Por que, se você está em um planeta alienígena, desconhecido, você precisa mesmo tirar a sua máscara de oxigênio?”, “Precisa enfiar a cara em uma planta-embrião suspeita?”. A resposta geralmente é sim, e os espectadores sofrem com a burrice dos protagonistas.

Na abertura de Alien: Covenant, temos uma cena longa de diálogo, logo após o nascimento/ativação do androide David, interpretado por Michael Fassbender (Assassin’s Creed e Bastardos Inglórios), que conversa com o seu criador, Peter Weyland (interpretado por Guy Pearce, de The Rover – A Caçada). Nessa conversa, já fica claro que David está muito mais propenso a seguir seus próprios objetivos do que servir à humanidade, algo que foi revelado em Prometheus. Fassbender também interpreta outro androide, Walter, mais amável e obediente, com o claro objetivo de dar nó na cabeça dos espectadores.

Em seguida, acompanhamos a nave Covenant que, além da sua tripulação, leva embriões e colonos para um novo planeta a ser explorado, o Origae-6. Próximos ao seu destino, os tripulantes acordam de seu sono programado, após uma falha técnica no sistema causada pela interferência de neutrinos, que tem consequências fatais. Enquanto tentam consertar os danos causados na nave, a equipe detecta uma transmissão claramente humana, em um planeta muito próximo de onde eles estão, e decidem investigar. É nesse momento que a história dos cientistas, pilotos e técnicos da Covenant se entrelaça com a da Dra. Elizabeth Shaw (Noomi Rapace, de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres) e do androide David, sobreviventes do encontro com os criadores dos humanos em Prometheus.

O capitão Oram, interpretado por Billy Crudup (Peixe Grande e Quase Famosos) acaba se tornando o líder da expedição. Em todas suas falas, percebe-se que ele tem um viés religioso e menciona a importância da fé diversas vezes, bem característico dos pioneiros que foram explorar o oeste americano. Porém, a questão não se desenvolve profundamente, causando certo estranhamento. Por que ele está falando essas coisas? Os debates entre ciência e religião foram mal explorados, mas certamente teorias por aí não vão faltar. O que você quis dizer com isso, Ridley Scott? No fim, a impressão que se fica é de que Alien: Covenant é daqueles filmes que uns vão odiar, outros vão achar legal e alguns vão precisar ver mais de uma vez para digeri-lo lentamente.

Mas o resumo do longa é, novamente, o conflito “criador versus criatura” e a habilidade de sobrevivência do mais esperto, em um ambiente hostil com alienígenas vorazes e suas salivas corrosivas. O filme não necessariamente precisa de uma continuação, mas ela também é totalmente possível. Podemos ficar no aguardo para ver algumas personagens (as que sobreviveram, e não me diga que é spoiler falar que pessoas morrem num filme da série Alien) e claro, a criatura que dá nome ao filme futuramente. Sua extinção está longe de acontecer.

Alien: Covenant está em exibição nos cinemas.

P.S.: Aproveitei o filme de temática espacial para testar as tais cadeiras que se mexem de acordo com o filme, como em simuladores. Apesar de bem sincronizado, não vale a pena gastar seu precioso dinheirinho pelo efeito que mais distrai do que proporciona uma experiência de imersão maior. Se quiser gastar mais no cinema, que já está caro, melhor investir naquelas salas que têm poltronas gigantes. Isso se você não for do tipo que se aconchega e dorme.

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Quem escreveu isso?

Jornalista. Criadora de neologismos. Ama fotos mas odeia sair nelas. Adora chás, chocolates, livros e dias de chuva, de preferência tudo junto! Sempre busca o elemento Tim Burtoniano das coisas. Gosta de Heavy Metal, mas não nega alguns Guilty Pleasures (confessa, você também tem!).