Cine Blá Cult | Um Lobisomem Americano em Londres

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Lançado nos cinemas em 1983, Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, EUA, 1983), até hoje, continua sendo o filme com a mais assustadora e impressionante transformação de homem em criatura (aqui, um lobisomem, é óbvio) da história do cinema. Escrito e dirigido por John Landis, um dos mais ativos cineastas dos anos 80 com ótimos títulos no currículo, como Os Irmãos Cara de Pau (The Blues Brothers, 1980), Trocando as Bolas (Trading Places, 1983) e Um Príncipe em Nova York (Coming to America, 1987), todas comédias, Um Lobisomem Americano em Londres não escapa do gênero favorito de seu diretor. Muitos consideram o filme uma comédia de terror, o famoso “terrir”, devido ao tom jocoso com que a narrativa transcorre. Mas prefiro pensar na produção como um longa de horror, carregado com um certo humor-negro. Esta mescla de gêneros é um tanto quanto descompensada na produção. Funciona perfeitamente em alguns momentos, mas em outros desnorteia o espectador com mudanças bruscas de tom.

O filme conta a história de David (David Naughton, que sumiu), e Jack (Griffin Dunne, de Depois de Horas, 1986), dois mochileiros americanos viajando pela Europa. Após saírem de um pub no interior da Inglaterra, os dois são atacados por um gigantesco lobo (as cenas do ataque são brutais e gráficas) e, enquanto David fica gravemente ferido, Jack morre no ataque. Obviamente, em um filme com a palavra “lobisomem” no título, nem é preciso dizer que David passa a sofrer estranhas mudanças em seu corpo, e pior, passa a ver o falecido Jack e a conversar com ele (em ótimos diálogos repletos do referido humor-negro da produção), num prenúncio de que o lobo que os atacou não era um lobo comum.

E então, com mais ou menos uma hora de filme, vem a transformação. David se transforma lenta e penosamente em um lobisomem, numa sequência rica em detalhes que vão dos mais geniais aos mais grotescos. Como na época não existia ainda esse negócio de efeitos-especiais digitais, etc, era tudo na base da tentativa e erro. E posso garantir que o mestre da maquiagem, Rick Baker, SETE vezes vencedor do Oscar, não errou em nada. Pelo contrário: a maquiagem e os efeitos animatrônicos de Um Lobisomem Americano em Londres talvez sejam sua obra-prima. O filme foi, inclusive, laureado com o Oscar da categoria daquele ano.

Além de Naughton e Dunne encabeçando o elenco, o filme conta ainda com um dos símbolos-sexuais da época, a atriz Jenny Agutter (Os Vingadores, Capitão América: O Soldado Invernal), no papel da enfermeira que cuida de David no hospital e que, posteriormente, vira a namorada do personagem. A produção possui também uma trilha-sonora matadora, onde destacam-se as sugestivas canções “Blue Moon”, interpretada por Bobby Vinton, e a espetacular “Bad Moon Rising“, interpretada pela banda Creedence Clearwater Revival.

Um Lobisomem Americano em Londres é indiscutivelmente um clássico do gênero, mas poderia ser ainda melhor não fosse este desequilíbrio entre os tons do filme. O final abrupto e excessivamente triste é a maior prova disso. Você se diverte o filme todo e termina a sessão na deprê.

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Quem escreveu isso?

Eduardo Kacic é roteirista de longa-metragens, crítico de cinema, palestrante e tradutor cinematográfico. Criador do extinto blog Gallo Movies, colaborou também com os blogs Formiga Elétrica e Filmes e Games. É colaborador do Humanoides, e agora veste a camisa do Mundo Blá! com muito orgulho. É São-Paulino doente, marido apaixonado da Lígia Oliveira e pai do Pedro Ceni. Sim, o sobrenome é em homenagem ao goleiro.