Blá pelo Mundo | Cidade do México

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Sempre gostei da natureza (isso se não houver a presença ostensiva de insetos e com a obrigatoriedade de banheiros decentes), mas, no geral, me considero uma pessoa urbana. Adoro visitar grandes cidades, ver pessoas diferentes e saber que, em cada esquina, posso encontrar uma opção cultural diferente. Paulistana que sou, achei que o conceito de cidade grande era intrínseco ao meu ser. Isso até visitar a Cidade do México. Apesar de São Paulo ser maior e mais populosa que a capital mexicana, a sensação que dá é que lá é maior, talvez pelas mudanças abruptas de paisagem na própria cidade. Minha primeira dica para quem quer conhecer esse destino é levar um sorinho para o nariz. O meu sangrou todos os dias devido à combinação de tempo seco e poluição, muita poluição mesmo. Mas fora isso, é uma das cidades mais encantadoras e ricas culturalmente que eu já vi, e vale muito a pena conhecê-la.

Charmosas ruas na noite da Cidade do México.

Eu fiquei no centro, em uma rua em que, se você for um quarteirão para a direita, te levará para a parte nobre e histórica, próxima ao Palácio Nacional, com ruas largas, arquitetura europeia e policiais por todo canto; mas se for um quarteirão para a esquerda, estará em um local semelhante à rua 25 de Março, na véspera de Natal, com muita gente, comércio informal de tudo o que se pode imaginar e a necessidade de ficar atento aos seus pertences. Vizinha ao apartamento em que eu estava hospedada, está a Arena Coliseo, palco das famosas luchas libres mexicanas. Só os nomes criativos dos lutadores já são um espetáculo à parte e o esporte de luta ensaiada realmente faz o público vibrar.

Outra coisa marcante do centro é a quantidade de lojas de vestidos para a quinceañera, festa de 15 anos e noivas, cada um maior e mais colorido que o anterior, com direito a acessórios como coroas e tiaras tamanho G, GG e GGG. Tudo tão exuberante, que fica até divertido.

Roupas de festa no centro da Cidade do México.

Além do câmbio favorável (quando fui, 1 real valia aproximadamente 5,7 pesos), uma das grandes vantagens da Cidade do México é a quantidade enorme de estações de metrô. Não é um dos metrôs mais bonitos, mas é eficiente e dá para ir para qualquer lugar da cidade com os trens, podendo de quebra conferir as coisas que se vende por lá como roupas, CDs de bandas underground, copos grandes com saladas de frutas bem coloridas e apetitosas, acessórios eletrônicos e montanhas de churros, certamente mal acondicionados, certamente deliciosos.

Mas a comida no México merece um destaque especial. Por sinal, bem diferente do tex-mex que estamos acostumados a consumir aqui no Brasil, com excesso de queijo, burritos recheados com arroz, entre outras particularidades. Um dos ingredientes mais interessantes é o nopal, um cactus macio e bem saboroso, servido cozido ou grelhado. O sal de gusano, um verme geralmente encontrado nas plantas do agave, é bem saboroso e picante, ideal para acompanhar os shots de mezcal.

Café da manhã em padaria mexicana.

Aliás, quem passar pelo bairro de Coyoácan vai encontrar diversos bares que servem vários tipos de mezcal, bebida de agave menos destilada que a tequila. Coyoácan se assemelha à nossa Vila Madalena, só que, ao invés de rodas de samba, é possível entrar em uma cantina onde mariachis cantam canções românticas a plenos pulmões, acompanhados pelos gritos dos clientes. Todo mundo sabe todas as letras. Se encarar o sal de verme for fácil, você já pode pular para os chapulines, pequenos gafanhotos servidos como aperitivo seco ou como ingrediente de outros pratos, responsáveis pela crocância. O gosto é bom, herbal, só não fique focado na textura das perninhas que está tudo certo! Nas ruas da cidade, o que mais se vê são aquelas carnes giratórias prontas para fatiar, mais conhecidas por aqui como churrasquinho grego. Mas lá, ao invés de pão, usa-se as tortillas. É tentador adquirir o quitute, ainda mais os que estão acompanhados da placa 5 unidades por 10 pesos, porém vale a pena dar uma checada na higiene do lugar, ou então a experiência gastronômica poderá custar um tempo maior que o desejado no banheiro.

Para quem gosta dos passeios históricos, a cerca de 50 km da Cidade do México, está Teotihuacan, um parque arqueológico com as pirâmides do sol, da lua e da serpente plumada, um cenário digno para se sentir no filme Apocalypto. A antiga cidade foi um dos maiores centros comerciais e religiosos da América Pré-Colombiana. Prepare as pernas se quiser subir nas três pirâmides porque os degraus, além de incontáveis, são irregulares e íngremes e a distância entre uma pirâmide e outra é bem considerável. O assédio de vendedores de estátuas dos deuses venerados no passado e outros cacarecos feitos com a pedra típica de lá, a obsidiana, é grande e se você quiser um souvenir, sempre vale a pena esperar o próximo vendedor e negociar, porque o preço vai caindo bastante ao longo do caminho entre as pirâmides e quando estiver mais próximo do fim do dia. Eles vendem também um tipo de apito que imita o som de um jaguar, barulho que acompanha boa parte do passeio.

Vista do Templo da Lua.

O Museu de Antropologia, esse já em uma parte bem nobre da Cidade do México, também vale a visita, mas vá cedo porque ele é gigante. É muito legal saber como os mexicanos valorizam todas as tradições e povos que fizeram parte da sua formação sociológica e preservam cada detalhe em festas e reencenações. Aliás, a formação cultural do México é algo extremamente complexa e interessante, pouco conhecida por quem não é de lá.

CANCUN

Viajar para a Riviera Maya geralmente é sinônimo de relaxar em resorts paradisíacos, naquelas praias com um mar incrivelmente azul e baladas enormes e performáticas, como a Coco Bongo.  Mas quem quiser algo mais simples e local, deve conhecer a Isla Mujeres, seja para se hospedar nos hostels de lá ou para tirar um dia de descanso do grande resort em que se está (meu caso), lugar cuja rotina se resume a comer um monte e dividir espaço com casais em lua de mel, com a galera que começa a tomar daiquiris às 7h e o pessoal que acorda ainda mais cedo para as aulas de ginástica na piscina. A ilha é simpática, mais simples, com vários botecos que nos fazem sentir em casa, além de ser um bom lugar para comprar lembrancinhas de viagem mais baratas. Como a ilha é bem pequena, é comum ver as pessoas alugarem carrinhos de golfe para andar por lá.

Porto de Isla Mujeres tem imensa movimentação de turistas.

Outra dica é fazer um snorkel ou mergulho em alto mar, onde tem o MUSA (Museo Subacuático de Arte), com diversas esculturas que dividem espaço com os peixes. O nome da ilha é esse porque, quando os espanhóis chegaram no século XVI,  encontraram muitas figuras de culto da deusa Ixchel, a quem é atribuído os poderes da medicina, do parto, dos trabalhos têxteis e da lua.

A combinação de cultura e as várias opções de diversão são uma mistura perfeita, mas o mais impressionante de lá ainda é a cor da água. Só isso já vale a viagem!

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Quem escreveu isso?

Jornalista. Criadora de neologismos. Ama fotos mas odeia sair nelas. Adora chás, chocolates, livros e dias de chuva, de preferência tudo junto! Sempre busca o elemento Tim Burtoniano das coisas. Gosta de Heavy Metal, mas não nega alguns Guilty Pleasures (confessa, você também tem!).