Blá pelo Mundo | Buenos Aires – por Demétrius Carvalho

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Chegamos em Buenos Aires de ônibus e a visão em volta da rodoviária é um tanto quanto assustadora. Soubemos, um pouco depois, por informações de um amigo, que aquela era a maior villa da capital argentina. A Villa 31, para quem tenha interesse em pesquisar sobre, é uma espécie de limbo dos excluídos da sociedade. Mas passado menos de um quilômetro, já adentrávamos a Buenos Aires, com sua arquitetura bela e impressionante; mas constatávamos também que os motoristas da cidade são muito mais agressivos que os de São Paulo.

A primeira parada foi em um bairro residencial simples e aconchegante. Óbvio que a vontade de conhecer um pouco do que nos cercava logo me levava para as ruas, que também nos dava uma impressão negativa. Por lá, ninguém se preocupa em recolher o que seu cachorro faz. Então, cuidado com os dejetos caninos pelas calçadas…

Caminhamos um pouco e, além da arquitetura que eles parecem valorizar mais do que nós as nossas, notamos aqui e ali algumas placas nas casas que continham verdadeiras informações sobre a história do local. Nesse quesito, eles também parecem estar adiantados sobre os brasileiros. Em seguida, paramos para experimentar os famosos sorvetes de lá que, sim, são bem melhores que os nossos e mais baratos também (ainda mais por nossa moeda estar valendo bem mais que a dos hermanos). Todos sempre pareciam simpáticos ao se depararem com os brasileiros (já ouvi dizer que temos muito mais rixa com os argentinos do que eles têm conosco).

Chegando e curtindo a noite portenha.

Chegando e curtindo a noite portenha.

No dia seguinte, mais andadas pela região e lá vamos nós conhecer as iguarias argentinas. As carnes deles, tão famosas, parecem mais saborosas e macias do que as nossas, mas também muito mais gordurosas. No entanto, a grande surpresa da noite foi a “provoleta”. Não deixe de experimentar!

Em um outro momento, tomamos um ônibus para a Avenida Corrientes, que é um tanto quanto particular. Para tentar descrevê-la, ela consegue lembrar um pouco a Rua Augusta, sendo mais glamorosa e ampla, e é rodeada por muitos teatros com um clima de Praça Roosevelt. Ela é, na verdade, a calçada da fama deles, tendo em seu trajeto esculturas de personagens famosos na história portenha. Uma boa opção para comer é o El Gato Negro (Av. Corrientes, 1669), sugestão completamente bola dentro de nosso anfitrião, que ainda nos proporcionou uma caminhada de cerca de 2 Km, mostrando que, definitivamente, a arquitetura deles deixa a nossa para trás.

Nisso já adentrávamos a madrugada e não havia problemas. Aliás, temos aqui uma diferença gritante. A malha metroviária deles é bem mais complexa do que a nossa e se você possui um cartão semelhante ao bilhete único, a passagem sai um terço de quem não a tem (após a conversão monetária, constata-se que é algo por volta de R$ 1,00). O mais impressionante? Os argentinos preferem os ônibus, que também servem bem a cidade ao que se propõem fazer, mas diferente daqui, não possuem preço único. Você informa ao motorista onde vai descer e ele te diz o preço. Algo semelhante ao que acontece com o táxi: se você vai descer perto, paga menos do que aquele que desce mais longe.

Ônibus em Buenos Aires: transporte eficiente e que agrada a população.

Ônibus em Buenos Aires: transporte eficiente e que agrada a população.

Agora, quer uma diferença realmente cultural gritante? Carro? Daí é que eles não ligam mesmo! É a coisa mais comum você encontrar um carro se deteriorando na rua. Nos foi dito que apenas dez por cento da população possui carro. Afinal de contas, para quê, uma vez que se vive em uma cidade menor, com transporte público melhor e mais barato do que o nosso?

A cidade também é tomada por muitos leds. Não sei a proporção disso por economia ou por estética, mas é possível observar que eles usam leds bem mais do que os brasileiros. Até mesmo os motoristas de ônibus podem enfeitar os seus transportes com eles. Esteticamente, os transportes deles são muito mais convidativos do que os dos brasileiros e ainda possuem essa particularidade de poderem ser enfeitados pelo motorista.

Sempre que se viaja, encontram-se diferenças e podemos encontrar coisas que achamos estranhas ou pior do que as de onde viemos e talvez até isso seja verdade, embora tudo muito relativo também. Uma outra característica arraigada aos seus costumes são pequenas vendas normalmente entupidas de coisas, que se assemelham aos botecos de bairro do Brasil. Lá, são os “Maxi Kiosco” e eles são bem mais abarrotados do que os nossos. Por lá, vocês podem encontrar os famosos “alfajores argentinos”, ou simplesmente o alfajor. O que talvez possa nos causar um certo estranhamento é que vários deles possuem umas grades, as quais impedem que o cliente entre efetivamente no estabelecimento. Ele deve simplesmente fazer seu pedido do lado de fora, que o funcionário dentro do Maxi Kiosco pega para você.

Entrada de um Maxi Kiosco.

Entrada de um Maxi Kiosco.

Obviamente que passei por alguns pontos turísticos das quais todo turista quer passar, mas a ideia aqui foi mostrar uma Argentina e sua cultura por outros olhares. Minha impressão final? Absolutamente favorável, apesar de tudo. Não pensaria duas vezes em voltar para lá!

Demétrus Carvalho é músico e atualmente realiza o projeto Jazza Roll (saiba mais clicando aqui). É também colaborador do site Blah Cultural e autor do blog É Apenas o Que Eu Acho.

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Quem escreveu isso?

  • Denia Karru

    Estive em Buenos Aires em 2014 e simplesmente amei. Estou sempre planejando voltar, mas ainda não houve oportunidade.

    • Vanderson Santos

      Olá, Denia! Desculpe-me pela demora na resposta. Que bacana! Espero que volte logo a Buenos Aires (talvez você já tenha feito isso, levando-se em conta a demora da minha resposta…rs). Um grande abraço e compartilhe com a gente suas impressões sobre suas futuras viagens!