Análise | The Fall: A Última Dança

308 0

(CONTÉM SPOILERS DA ÚLTIMA TEMPORADA)

The Fall é, para mim, a personificação da série britânica: a narrativa é introspectiva, o ritmo é lento, a história é pesada, os personagens são complexos e as cenas são recheadas desses silêncios maravilhosos que dizem tudo. A série cria uma atmosfera e você definitivamente mergulha fundo. É a verdadeira definição do suspense psicológico.

The Fall tem um monte de cenas que qualquer criador de série americana cortaria. Mas são exatamente essas cenas que criam a atmosfera intimista para esse suspense psicológico irresistível. A tão esperada última temporada (aliás, que teste de paciência esperar essa season: quase dois anos para ser lançada!) é a prova disso: nos seis episódios não aconteceu praticamente nada e, ao mesmo tempo, eles significaram tudo.

Ainda não sei se gostei dessa história de Paul (Jamie Dornan) ter possivelmente perdido a memória. Um tanto quanto frustrante. Mas gostei do gancho que ela proporcionou: pode-se condenar alguém por assassinato quando ele mesmo não se lembra de tê-los cometidos? Será que ele perdeu mesmo a memória? Dá para provar, clínica e legalmente, se a perda de memória é real ou não?

Também não sei se gostei de Paul ter se matado no final. Era o desfecho mais previsível, embora talvez tenha sido também o final mais condizente para a história. De qualquer forma, há um lado meu que ainda preferia que ele não morresse, tivesse sido preso e continuado com a personalidade obscura e diabólica dele na cadeia.

Enquanto ainda estou na dúvida se gostei ou não do final de Paul, por outro lado, posso dizer com toda certeza que curti demais o desfecho de Stella (Gillian Anderson). A cena final, dela voltando para Londres e tomando uma taça de vinho, tão solitária e introspectiva, foi extremamente coerente. Não faria o menor sentido ela ter um final muito feliz, né?

Stella Gibson é uma das minhas personagens preferidas do mundo das séries. É independente, segura sexualmente, badass, confiante, mas também é complexa, cheia de nuances e, em alguns momentos, vulnerável. Ela carrega um ar misterioso, enigmático, denso. Foi Stella quem disse as frases mais emblemáticas das 3 temporadas, foi Stella quem foi feminista, foi Stella quem disse muitas verdades na cara dos personagens e do telespectador. Aliás, que trabalho impecável de Gillian Anderson: arrasou nas cenas com Jamie Dornan (Paul Spector), Valene Kane (Rose Stagg), Aisling Franciosi (Katie Benedetto) e Colin Morgan (Tom Anderson). Não é qualquer atriz que consegue dizer tanto em cena com muito mais expressões do que falas.

Mas The Fall não era sobre Paul nem Stella. Era sobre a dança entre os dois. Essa espiral de obsessão que ambos desenvolveram um pelo outro. Não é à toa que as (poucas) cenas entre os dois eram as mais tensas e explosivas, dessas de fazer você prender um pouco a respiração sem nem perceber.

Que pena que acabou. Seria imprudente se estender por mais temporadas, mas bem que eu veria mais uma, duas ou sete. A última dança dos dois foi um tango envolvente e bem coreografado que vai deixar saudade.

Total 0 Votes
0

Tell us how can we improve this post?

+ = Verify Human or Spambot ?

Quem escreveu isso?

Tarsila Zamami sempre quis ser profiler. Enquanto não é recrutada para trabalhar na BAU, dedica-se à sua outra paixão: entretenimento. Formada em jornalismo pela PUC-SP, acredita que é no cotidiano que estão os melhores enredos. Ama histórias. Das pessoas e das telonas. Perfeccionista, viciada em listas, maníaca por séries e apaixonada por Moleskines. Sempre quis jogar Jumanji. Para saber (quase) tudo acesse seu blog: confissoesesincericidios.com