13 Reasons Why: gostando ou não, ela está aí!

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Você com certeza já deve ter ouvido falar na série da Netflix, 13 Reasons Why (Os 13 Porquês). Ouviu falar bem ou mal, pode ter assistido ou não, mas o fato é que a série levantou milhares de discussões e colocou diversos assuntos como bullying, depressão e suicídio em pauta. Sim, alguém finalmente resolveu falar abertamente sobre suicídio, porém eu vim aqui apenas para falar da relevância para a realidade e a importância que a série, apesar de ser para o público jovem, tem para os adultos.

13 Reasons Why conta a história de Hannah Baker (Katherine Langford), estudante do ensino médio, que passa por diversas situações, algumas bastante comuns, outras nem tanto, para uma garota de 16 anos de idade. Após diversos casos de bullying, agressões, abusos e outros bem piores, Hannah desenvolve uma depressão que acaba levando-a tirar a sua própria vida. Antes de morrer, a adolescente grava 13 fitas K7 contando cada um dos motivos (e pessoas) que a levaram a tomar tal decisão.

13 Reasons Why - Imagem 1

Fazendo uma pesquisa breve no Google, você consegue encontrar dezenas de publicações, de especialistas ou não, sobre o impacto da série. Alguns dizem que a série pode ser prejudicial para pessoas que já possuem algum transtorno e servir de gatilho para o suicídio, outros defendem que levantar o debate é essencial para reduzir o número de ocorrências. Há pessoas que acham que a série romantizou a depressão ou fez uma abordagem superficial, há aqueles que acham que a procura por culpados apenas afasta o real problema da questão. Ou seja, poderia ficar dias e dias mostrando todos os olhares que foram desenvolvidos por 13 Reasons, mas o ponto importante é que o número de ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV – 141) aumentou em 100% após a série. Isso apenas no Brasil.

PONTOS POSITIVOS

Como falei anteriormente, a atração levou ao dobro no número de ligações para o Centro de Valorização da Vida. Surpreendentemente, poucas pessoas sabiam do canal antes da série. O CVV é um serviço onde pessoas que precisam de ajuda por conta de transtornos mentais, em especial a depressão, podem encontrar apoio e aconselhamento. O número do Centro de Valorização da Vida é 141 e o custo é o de uma ligação local.

É curioso como o bullying estava sendo arduamente debatido nos últimos anos, porém, nenhuma forma conseguiu retratar como ele funciona: pessoas normais assediando pessoas normais. É simples. Qualquer pessoa pode praticar o bullying sem ao menos perceber. Qualquer pessoa pode ser vítima, independente de sexo, raça, cor, idade ou forma física. Com base em 13 Reasons Why, podemos refletir que ações como essas pode acontecer em qualquer lugar, até em ambiente de trabalho.

Outra questão, ainda na pauta de bullying, é a omissão. A série quase desenha para as pessoas que omitir é ser conivente, é apoiar silenciosamente o que está acontecendo. Enquanto as pessoas apenas assistirem a casos como esses, as agressões e os assédios vão continuar e seus impactos ainda vão estar presentes na nossa sociedade.

13 Reasons Why - Imagem 2

Um fator que eu gostei bastante da atração é que, apesar de ser feita para o público jovem, passada em um ambiente escolar, qualquer pessoa consegue assistir. A forma como foi produzida (e até deixo aqui meus parabéns para a Selena Gomez, aqui na função de produtora) consegue prender a atenção. Alternando entre passado e presente, onde partes são narradas pelo áudio de Hannah Baker, realmente faz com que a série chame a atenção.

Precisamos falar sobre suicídio. Sim, precisamos. Ele acontece. Enquanto você está aqui lendo, milhões de pessoas estão pensando em se matar, milhares estão planejando e centenas de fato executando. Então, fechar os olhos para isso não ajuda. 13 Reasons Why mostra, em seu último episódio, o suicídio de Hannah Baker. Para muitos, a cena forte foi chocante e desnecessária, mas, pessoalmente, acredito que ela fazia parte do contexto e deixá-la de fora seria pular o essencial. O desespero,  a desesperança e a falta de suporte fazem parte de todo o contexto.

PONTOS NEGATIVOS

Alguns especialistas apontam que a série falhou em não abordar os sintomas de depressão. Se não fosse pela narração da própria Hannah, seríamos incapazes de perceber que a garota estava com o transtorno mental. Os sinais ficam mais claros no livro (Os 13 Porquês, escrito por Jay Asher e disponível no Brasil pela editora Ática), mas acredito que a produção resolveu amenizar isso para que a série não ficasse muito massiva.

Lendo a sinopse, pode-se ficar com o entendimento de que 13 Reasons Why irá abordar a depressão, dando até um conforto às pessoas que sofrem com a doença, pois, de fato, alguém poderia explicar para todos como que a doença afeta. Olhando por este ponto, a atração é frustrante, dando a impressão (errada) de que os produtores e diretores sequer sabem sobre a doença. De maneira geral, a série foca mais em vingança e culpabilidade do que a depressão em si. Mostra bem mais o que pode desencadear a situação, do que como é a situação de fato.

13 Reasons Why - Imagem 3

A narrativa possui algumas falhas no roteiro, como, por exemplo, Jéssica (Alisha Boe) lembrar do ocorrido na festa, mas ficar aguardando a confirmação de Justin (Brandon Flynn) – estou tomando cuidado para não dar spoiler. Quem iria lembrar de uma agressão e continuar perto do agressor? Assim como Hannah, que também se comportou assim de certa forma.

DE MANEIRA GERAL

Juntando os prós e contras, 13 Reasons Why pode ser considerada uma ótima adaptação. Não recomendada para pessoas que possam ter algum gatilho para transtornos mentais, é muito fácil entender os motivos dela ter sido um sucesso. A série é ótima para falar de bullying e abusos, mas péssima quando o assunto é depressão. Cada um assiste com um olhar: alguns buscam entretenimento, outros procuram respostas, ajuda, compreensão. Ainda é cedo para analisar os impactos da atração, mas, por enquanto, me apego ao aumento de ligações ao CVV.

Para quem amou 13 Reasons Why, pode se animar: além da discussão de uma segunda temporada, a Netflix já anunciou uma nova série que promete ter o mesmo sucesso, Gypsy, que tem previsão de estreia ainda este ano e já está em fase de gravação.

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Quem escreveu isso?

Jornalista, paulistana, capricorniana e devoradora de livros.