Sailor Moon chega ao Brasil depois de 12 anos

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Qualquer jovem que cresceu nos saudosos anos 1990 provavelmente já ouviu falar de Sailor Moon, ou as guerreiras da Lua. Mesmo aqueles que não estão muito familiarizados com o mundo dos mangás e animes – os quadrinhos e animações japoneses –, já tiveram ao menos um pequeno contato com Sailor Moon, um clássico do gênero. A famosa e bem-sucedida franquia finalmente chegará ao Brasil em sua forma original: o mangá, publicado originalmente em 1992, será lançado pela primeira vez no país.

Bishōjo Senshi Sērā Mūn (em tradução livre: Graciosa Guerreira Sailor Moon), escrito e ilustrado pela mangaka japonesa Naoko Takeuchi, completou 20 anos em 2012. Nesse período, a série ganhou as mais diversas adaptações e tornou-se uma das mais famosas franquias japonesas no ocidente. No Brasil, Sailor Moon é muito conhecido devido ao anime, exibido tanto em rede aberta quanto em canais pagos até 2002. Além disso, a série também conta com um live-action, inúmeros musicais e também jogos para as mais diversas plataformas.

Sailor Moon_Imagem 1A saga narra a história da jovem Usagi Tsukino (mais conhecida como Serena aqui no Brasil, devido à tradução de nomes no anime), uma garota de 14 anos que se transforma em guerreira ao receber poderes mágicos de uma gata falante. A missão de Usagi é defender a Terra de criaturas malignas usando o poder do místico Cristal de Prata, uma pedra sagrada muito poderosa. Em sua trajetória, Usagi encontra outras guerreiras, derrota inimigos e salva o mundo inúmeras vezes, mas também faz amigos, se apaixona e passa por um profundo amadurecimento. A história que conquistou milhares de fãs ao redor do mundo é repleta de poderes mágicos, viagens no tempo e no espaço, astrologia, mitologia, muita aventura e romance.

Dividida em cinco “fases”, Sailor Moon aborda as mais diversas temáticas, tais como: sexualidade, religião, suicídio e sexismo. A autora faz um trabalho especialmente interessante ao pegar um estereótipo da sociedade e usá-lo para quebrar vários outros – a protagonista, por exemplo, é uma perfeita representação do que é considerado socialmente aceitável para a figura do “feminino” (uma princesa cheia de corações, laços e fitas cor-de-rosa), mas é justamente isso que a faz uma guerreira forte o bastante para derrotar os seus inimigos, ou seja, é isso que permite que ela tenha sucesso em um papel social tipicamente masculino.

Sailor Moon é conhecido por renovar o gênero mahō shōjo (histórias sobre garotas mágicas), colocando no papel feminino a figura de uma heroína que luta contra o mal – e não uma menininha que brinca com super poderes, como geralmente acontecia até então nas publicações desse tipo. Além disso, é visível o aparecimento de várias séries de mangá e anime claramente inspiradas no título, que popularizou o famoso conceito de Super Sentai (termo usado para definir um grupo de cinco guerreiras mágicas), que é muito presente no gênero.

O lançamento da edição brasileira acontecerá no próximo dia 29 de março, em um evento espcial organizado pela editora JBC, na Livraria Saraiva do Shopping Center Norte, em São Paulo. O anúncio oficial foi feito no último evento Henshin+ de 2013 e, desde o início desse ano, a editora tem divulgado vídeos – os chamados “Diário Sailor Moon” – nas redes sociais, mostrando para os fãs as etapas de produção, aprovação e acabamento dos primeiros volumes. Se você é daqueles que está ansiosos pelo lançamento, já pode reservar o primeiro volume, que está em pré-venda neste link.

Sailor Moon-Capa-Completa-Volume-1

Gosta de Sailor Moon? Se interessou pela guerreira da Lua? Confira aqui um pouco da trajetória dessa enorme e popular franquia.

MANGÁ

Sailor Moon_MangáO mangá de Sailor Moon foi originalmente publicado no Japão entre 1992 e 1997. Foram 18 volumes que eram lançados mensalmente na revista Nakayoshi, da editora Kodansha. A história foi inicialmente dividida em 52 atos (os capítulos) e mais dez histórias curtas (contos paralelos que não seguiam a linha principal da série). Além disso, também foram lançados sete artbooks, livros de ilustrações que contêm imagens extras, desenhos especiais e rascunhos feitos pela autora.

Em 2003, a série foi relançada em formato Shinzoban – mais conhecido pelos fãs como a versão deluxe. Essa nova edição totaliza apenas 12 volumes, porém a história foi dividida novamente em 60 atos. E mais: há também dois volumes extras com as histórias curtas. Essa versão teve, além das novas capas, um novo logo e algumas correções na arte e nos diálogos, mas mantém a história exatamente igual à original. É essa edição que chegará às bancas brasileiras.

Muito mais sério e profundo que o anime, o mangá é baseado em um trabalho anterior de Naoko, Codename: Sailor V, em que Minako Aino (Mina, na dublagem brasileira) aparece como protagonista. Mais tarde, a garota se tornaria Sailor Venus, uma das companheiras de Sailor Moon em sua série. Ao contrário da adaptação televisiva, os quadrinhos são direcionados a um público um pouco mais velho – pelo menos a história é abordada por uma perspectiva menos infantil.

Uma nova versão Kanzenban – conhecida pelos fãs como “edição perfeita” – está sendo lançada apenas no Japão desde o final do ano passado. Feita em comemoração aos 20 anos da série, essa edição é um pouco maior que as anteriores e tem capas com ilustrações exclusivas.

ANIME

Sailor Moon_AnimeExibido simultaneamente à publicação do mangá, o anime de Sailor Moon é a encarnação da franquia mais conhecida pelo público. O cartoon tem 200 episódios divididos em cinco temporadas – cada uma representando um ciclo do mangá –, além de três filmes e cinco especiais, todos produzidos e distribuídos pela Toei Animation. A série foi exibida em, ao menos, 23 países e dublada em várias línguas.

A versão animada de Sailor Moon tem um tom infantil marcante. Repleto de fillers (episódios ou arcos inteiros de uma série de anime inexistentes na série original do mangá do qual a mesma foi adaptada), o anime conta uma história um tanto diferente da do mangá – sem mudar, é claro, o enredo principal, mas com várias alterações de eventos menores e maiores. Ainda assim, é essa versão da franquia que marcou a memória da maioria dos jovens que já tiveram contato com Sailor Moon. Um dos grandes destaques do anime é a trilha sonora, cujas canções muitas vezes tinham colaboração de Naoko, a criadora.

No Brasil, a estreia de Sailor Moon foi em 1996, na extinta Rede Manchete. Apenas a primeira temporada foi exibida com a dublagem feita pelo estúdio Gota Mágica. Foi só em 2000 que o anime retornou para as televisões brasileiras, agora dublado pela BKS. As quatro temporadas que faltavam foram ao ar pela Rede Record e pelo Cartoon Network até 2002.

Em 2012, foi anunciado um remake do anime durante o evento de comemoração dos 20 anos de Sailor Moon. Após ser adiado mais de uma vez, a nova animação está marcada para estrear mundialmente em julho de 2014 sob o título Pretty Guardian Sailor Moon Crystal. A Toei, os produtores e roteiristas da série afirmam que, dessa vez, a adaptação será mais fiel ao mangá. Os dubladores originais japoneses dos protagonistas assumirão novamente seus papéis nessa nova versão.

LIVE-ACTION

Sailor Moon_Live ActionPor fim, as guerreiras lunares ganharam sua versão em carne e osso também. Entre 1993 e 2005, foi apresentada uma série de musicais da franquia, os Sera Myu (abreviação para “Sailor Moon Musical”). Essas produções teatrais tiravam seus roteiros do mangá e do anime, muitas vezes misturando os dois universos ou com histórias e personagens originais. Até o início do ano passado, 29 peças já tinham sido encenadas, porém um 30º musical foi exibido em comemoração aos 20 anos da série em 2013 – Sailor Moon: La Reconquista, tinha como base do roteiro o primeiro ciclo do mangá.

Além disso, a Toei também produziu uma série live-action com o título Pretty Guardian Sailor Moon. São 49 episódios que foram ao ar no Japão, entre 2003 e 2004, e dois especiais que foram lançados somente em DVD/VHS. A autora Naoko Takeuchi esteve extremamente envolvida na produção da série que, assim como o último musical, é baseada na primeira parte dos quadrinhos. O logo da edição Shinzoban do mangá é muito parecido com o do live-action e, além disso, algumas alterações na arte e nos diálogos foram feitas para deixar essas duas encarnações mais semelhantes.

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Quem escreveu isso?

Pai da Lorena e da Valentina, e marido da Pati Melo. Fascinado por música, cinema e games. Adora HQ, e guarda com muito esmero a sua coleção de quadrinhos de sacanagem do Milo Manara e da Giovanna Casotto. Na internet desde 1995 acredita que agora encontrou a fórmula ideal de satisfação pessoal com o Mundo Blá!